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Entrevista com Tati Sanches; baixe set!

Destaque no seleto rol de brasileiros que conquistaram o reconhecimento e espaço na cena internacional da música eletrônica, a DJ Tati Sanches, em uma entrevista exclusiva à Revista Goma, fala sobre sua vida na Alemanha, projetos para o futuro, influências e muito mais.

A brasiliense que ficou conhecida pelas mixagens precisas e pela atmosfera envolvente de seus sets, teve papel fundamental na cena precursora da música eletrônica no Brasil e após memoráveis apresentações em clubs paulistanos e festivais tradicionais o seu som foi levado ao restante do mundo.

Atualmente Tati mora em Berlim, e é influenciada por esse ambiente repleto de tendências que e a DJ vem a cada dia conquistando novos fãs e cultivando seu prestígio por onde passa.

Antes de tudo, a Tati preparou um presentão de Natal pros leitores da Goma: um set fantástico com suas melhores influências. Como não podia deixar de ser, o set é uma aula de mixagem e repertório. Antes de ler a entrevista abaixo, clique no play e escute o som! Ah, e baixar não só é permitido como totalmente aconselhável!



O que te levou a mudar para a Alemanha, e após sua decisão como foi essa adaptação?
Foi um processo natural na minha vida profissional e pessoal. Chegou o momento em que quis buscar novas referências e novos ambientes para desenvolver meu trabalho. Minha primeira apresentação na Alemanha foi em 2002, e sempre gostei muito de tocar nesse país. Berlim é uma cidade que está vivendo um momento muito interessante, artistas de diversas áreas e diferentes partes do mundo tem escolhido essa cidade para viver, isso cria um ambiente muito bacana, criativo e inspirador.

A adaptação foi tranqüila, a profissão de DJ faz com que a gente viaje muito, e acabe tendo amigos por todos os lados. E por mais que a cena aqui seja um pouco saturada, muitos produtores e DJs vivem em Berlim, aos poucos consegui espaço em clubs e festas importantes.

Do que mais você sente falta da cena brasileira e o que menos faz falta?
O que mais sinto falta é o carinho do público, sempre existiu uma troca muito legal entre eu e as pessoas que acompanharam meu trabalho. Isso foi sempre gratificante. O que menos sinto falta é do conservadorismo de algumas pessoas para música. Muita gente no Brasil ainda é muito fechada. Ficam muito limitadas a modismos, e acabam perdendo a chance de escutar coisas novas.

Qual foi o melhor lugar onde você já tocou na Europa?
É difícil escolher um único como o meu predileto. Tiveram vários lugares especiais onde me apresentei pela Europa. Mas os que mais me marcaram recentemente, foram o Glade Festival, festival que aconteceu na Inglaterra em Julho deste ano, e contou com a presença de grandes nomes como Carl Craig, Underworld, Adam Beyer. Bar 25, a febre do momento para os alemães, é atualmente o lugar mais procurado pelos amantes da club music. E o Tresor, um dos clubs mais antigos e importantes na história do Techno mundial.

A Alemanha sempre foi considerada um polo da música eletrônica ditando tendências, ainda é assim ou outros lugares do mundo dividem essa posição privilegiada?
Hoje em dia você encontra bons produtores e DJs no mundo todo. Com a internet o acesso a música, informação e tecnologia ficou muito mais fácil. O mais interessante pra mim é como o publico alemão se relaciona com as festas e com a música eletrônica. A cultura eletrônica é muito forte e presente nesse pais, pessoas de todos os níveis sociais vivem isso. Existem diversos espaços, para diferentes estilos de música eletrônica. Isso cria um ambiente bem diversificado e rico, e as pessoas são bem abertas pra essa diversidade.

Recentemente o atual affair de Madonna, Jesus Luz, estreou como dj e vem tocando em badalados clubes do Brasil. Qual a sua opinião frente a essa grande leva de djs-celebridades?

DJ para mim é sinônimo de música, não de cara bonita e famosa. Não conheço o trabalho do Jesus Luz, não me interesso por esse tipo de coisa. E acho uma grande besteira as pessoas que correm atrás disso.

Você provavelmente deve ter influências que transcendem a cena eletrônica, quais são as principais?
Escuto música de diversos estilos, não me prendo a nada. Ultimamente tenho escutado muito rock, The Stooges, Velvet Underground, Joy Division, Radiohead. Gosto muito de Trip Hop também, artista como Amon Tobin, Sixtoo, Blockhead. Música Brasileira, Samba, Jazz ... são tantas coisas. Ouvidos livres para todo tipo de música, desde que seja boa.

Nós conhecemos a Tati DJ, e seu lado como produtora? Você atualmente está trabalhando em algum projeto?

Tenho me dedicado cada vez mais a produção. Ainda estou no início desse processo, que demanda um certo tempo para adquirir maturidade. Mas tenho a certeza que em breve o resultado desse projeto vai aparecer.

Vinil, CD ou Laptop?
Sinceramente não ligo pra isso. Vinil, CD, Traktor, Ableton. Pra mim o que interessa é a música, a construção que o DJ cria. É isso que faz com que as pessoas dancem e se emocionem. A mídia para mim não importa.

França, Reino Unido, Estados Unidos e outros países estão travando um embate contra os downloads ilegais de música, qual sua opinião frente a esse tipo de proibição?

Esse é um assunto muito complicado, ao mesmo tempo em que acredito que os artistas devem ter retorno financeiro pelas faixas que produzem, acho interessante a possibilidade que a internet traz das pessoas terem acesso livre a informação, independente de classe social e poder econômico.

Quais são suas outras paixões além da música?
Gosto muito de arte em geral, principalmente cinema. Também amo viajar e descobrir novas culturas, conhecer novas pessoas.

Tati, abra o case para seus fãs e diga qual o seu top 10.
Carl Craig – My Angel – (Jerome Sydenham Vocal Dub Mix)
Nathan Fake – Narrier
Moritz Piske – Real One
Ben Clock – Grip
Spektre – The Ride feat Chelonis R Jones – ( Kreon Saber Rider RMX )
Radio Slave – Neverending
Marc Houle – Dirty Dirty
Butane – Inferno Jack
Mathew Jonson – When Love feels like Crying
Lee Curtis – Vibrant Member


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